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O uso de painéis solares nos telhados das casas tem se mostrado uma tendência crescente. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o Brasil seria um grande candidato aos telhados solares que poderiam superar com folga a geração total de eletricidade do Brasil.

Somente no segmento residencial, o potencial técnico de geração de energia distribuída é de 164 GW (gigawatts), o que é mais do que os 149 GW produzidos pelo sistema elétrico brasileiro em 2015. E ainda por cima é uma energia limpa e renovável.

Reforçando a importância do uso de painéis solares nas residências, um estudo da organização não governamental Greenpeace sobre microgeração energética revela que 72% dos pesquisados de todas as classes sociais comprariam um equipamento de energia solar fotovoltaica se houvesse linhas de credito com juros baixos.

Atualmente, há cerca de seis mil sistemas fotovoltaicos instalados nas residências que geram cerca de 70 MW (megawatts). É uma capacidade instalada de energia suficiente para iluminar 30 mil casas por ano, em média.

Até 2020, considerando tanto o mercado de leilões de energia solar quanto o de geração distribuída, onde se encaixa o segmento residencial, o Brasil deve criar até 60 mil empregos diretos com energia solar fotovoltaica, e mais 100 mil vagas indiretas, é o que prevê a ABSOLAR.

Quanto custa a transição para energia limpa no Brasil?

Chegar a 2050 com uma matriz de energia livre dos combustíveis fósseis deverá custar R$ 1,7 trilhão em investimentos ao longo dos próximos anos. Parece muito, mas é 6% a mais em relação ao que o Brasil precisará investir em energia, considerando as políticas atuais para o setor de energia.

O caminho de abrir mão do petróleo e do carvão progressivamente e alcançar uma matriz 100% renovável até meados do século também vai possibilitar a geração de 618 mil empregos ligados à área de energia limpa até 2030.

O cenário faz parte da quarta edição do relatório [R]Evolução Energética. Para isso, seria preciso redirecionar políticas públicas e investimentos em eficiência energética e geração descentralizada, com ênfase nas fontes solar, eólica e biomassa.

Elaborado com o apoio de especialistas de universidades e institutos de pesquisa como Unicamp, UFRJ e International Energy Initiative (IEI), o documento traça um panorama para que o país faça a substituição das energias fósseis pelas renováveis e os passos necessários nessa transição.

“Estamos falando de uma revolução concreta. O relatório traz uma nova proposta, que é a de zerar as emissões na indústria, na produção de eletricidade e nos transportes”, explica Ricardo Baitelo, coordenador da área de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

De acordo com essa visão, na indústria e nos transportes o abandono da energia fóssil também será progressivo, com adoção de biocombustíveis e eletricidade gerada a partir de fontes limpas. A energia gerada pelo sol e pelos ventos alcança 46% da matriz energética até 2050, ao mesmo tempo em que as grandes hidrelétricas, hoje predominantes, percam espaço.

Em paralelo, a orientação é de abolir gradativamente o petróleo e seus derivados – inclusive o pré-sal -, as termelétricas a carvão e também a geração nuclear.

O Greenpeace sugere também que não se construa mais hidrelétricas na região amazônica, hoje a principal rota de expansão da geração hídrica no país.

Além dos telhados solares, outras alternativas surgem no cenário…

O relatório apresenta e compara dois cenários que mostram as possíveis configurações da matriz energética em 2050. O cenário Base reflete a continuidade das políticas do governo para o setor. Já o cenário [R]Evolução Energética traz a projeção do Greenpeace para o mesmo período. Com mais vento, menos hidrelétrica e mais de outras fontes, como solar e biomassa, um cenário em que as renováveis se complementam se formaria.

Segundo a projeção da ONG, a fonte hídrica passa a representar 45% da matriz em 2050, enquanto a energia eólica cresce dos atuais 7% para 25% e a fonte solar salta de menos de 1% para 21% da matriz. Outras alternativas surgem no cenário, como a oceânica e o hidrogênio, que vão responder por 2% até 2050.

“Fazer a transição não será barato, mas os custos empatam com os que estão previstos no cenário Base”, diz Baitelo. Outro ponto que conta a favor das renováveis são os custos em queda, decorrentes da renovação tecnológica, e as novas possibilidades de armazenagem de energia, como baterias mais potentes.

“De 2030 para frente a energia limpa fica mais barata, e teremos um consumidor gerando sua própria energia. Mas para isso precisamos de políticas públicas e de planejamento”, conclui Baitelo.

 

O relatório e algumas informações citadas foram retiradas da publicação do greenpeace.org. Nós podemos ajudar nessa transição. Para parcerias e meios de implementação, entre em contato conosco.