Escrito em por , na categoria Ação Contra a Mudança Global do Clima, Indústria, Inovação e Infraestrutura.

Este texto apresenta uma breve reflexão sobre a correlação dos artigos: “Strategy & Society” (Porter; Kramer, 2006),  “Shared Value” (Porter; Kramer, 2011), “Criando Valor Sustentável” (Hart; Milstein, 2004), “The Path to Corporate Responsability” (Zadeck, 2014) e “How to Become a Sustainable Company” (Eccles; Perkins; Serafeim, 2012) e o conceito de ecossistemas

Strategy & Society

Qual é a relação entre a empresa e a sociedade? Ou seja, a relação da empresa com os diversos públicos com os quais interage, que têm interesse ou que se sentem afetados pelas suas atividades; as partes interessadas.

Michael Porter e Mark Kramer sugerem uma alternativa ao conceito capitalista de encarar o assunto: defendem  uma relação entre empresa e sociedade na qual sucesso empresarial e bem-estar social caminham juntos.

O artigo “Strategy & Society” apresenta um modelo a ser usado pelas empresas para que possam identificar as conseqüências sociais de determinadas decisões e estratégias, mapear quais problemas abordar e estabelecer meios eficazes de enfrentá-los, ao mesmo tempo, fortalecendo o contexto competitivo no qual atua.

Analisando oportunidades de sustentabilidade na estratégia empresarial (RSE) com o emprego de diretrizes idênticas às que norteiam suas decisões de negócios, a empresa descobrirá que a RSE pode ser muito mais do que um custo ou uma limitação, pode ser uma importante fonte de inovação e vantagem competitiva.

Shared Value

Porter e Kramer não acreditam que as companhias sejam rivais dos seres humanos, mas que elas são neutras e que existem para suprir as necessidades dos cidadãos. Assim, para utilizar as organizações como ferramentas eficientes ao suprir as demandas sociais, eles desenvolveram a ideia de Criação de Valor Compartilhado (CVC), adotada mundialmente por grandes corporações.

O conceito de CVC pode ser definido como um conjunto de práticas de gestão e políticas empresariais que visam aumentar a competitividade da empresa e, simultaneamente, aprimorar as condições sociais e econômicas nas comunidades em que operam.

Portanto, a CVC não é apenas uma questão de escolha de atitudes esporádicas e convenientes de filantropia ou ações sociais. A questão, apresentada por Porter e Kramer, é o modo como isso será realizado pelas companhias.

Criando Valor Sustentável

Conceber e desenvolver uma cultura interna para a sustentabilidade é fundamental para impulsionar novos comportamentos diante de questões ligadas à relação empresa – sociedade – natureza.

As transformações nos contextos econômico, social e ambiental influenciam fortemente o comportamento das empresas e da sociedade diante da questão da responsabilidade social. A sociedade espera ação empresarial responsável.

O texto apresenta uma forma pela qual a responsabilidade social empresarial necessita ser integrada nesse processo, seja por meio do recolhimento de impostos e da geração de riquezas, da geração de novas tecnologias com respeito ao meio ambiente e à sociedade, do investimento no desenvolvimento de seus empregados, de uma comunicação transparente, da governança corporativa, de ações sociais que contribuam para as comunidades do entorno, e da interação com suas partes interessadas.

Ecossistemas

Um ecossistema é um conjunto formado pelas interações entre componentes bióticos, os organismos vivos (plantas, animais e micróbios), e os componentes abióticos, elementos químicos e físicos, como o ar, a água, o solo e os minerais.

Ecossistemas de negócios

 No jargão corporativo, ecossistemas de negócios são definidos como uma rede que engloba uma empresa e seus respectivos fornecedores, clientes e demais parceiros, em um ciclo virtuoso de geração e agregação de valor. O termo foi popularizado pelo livro “The Death of Competition: Leadership and Strategy in the Age of Business Ecosystems” (James Moore, 1996).

Reflexão do Autor

O conceito de ecossistemas exposto acima deixa bem claro que a interrelação entre seres vivos (animais, pessoas, empresas e sociedade) e seres não vivos (recursos naturais, água, solo, clima) estão intimamente relacionados e qualquer desequilíbrio nesta relação causa um colapso no sistema.

Da mesma forma que predomina o imperativo global do lucro (Teoria do Acionista, Milton Friedman, 1976), aceito por empresários como uma característica inerente ao negócio, os textos apresentados se propõe a justificar e/ou definir caminhos para incluir os temas e abordagens de sustentabilidade na estratégia empresarial em um âmbito global.

Não existe fórmula ou teoria que define o caminho de sustentabilidade para cada negócio ou organização, assim como não existem para o lucro, pois cada empresa segue seus próprios conceitos, referências, aplicando determinadas doses de inovação e criatividade. O fato é que assim como o imperativo global do lucro, o imperativo global da sustentabilidade (Paulo Branco, 2017) é vital para que as empresas e empresários evitem o colapso dos limites planetários e dos seus negócios.

Por André Leite de Araújo, Consultor Sênior em Meio Ambiente e Sustentabilidade.