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A sociedade moderna vive cercada de riscos e, dessa forma, cabe a nós gerenciarmos esses riscos. Contudo, o que muda é nossa forma de agir perante a ele, fazer do risco uma oportunidade para crescer. A ecoeficiência, o aumento do mercado, ou mesmo a manutenção dele, é função da sustentabilidade corporativa, e a gestão de riscos é ponto chave para auxiliar esse processo.

Sustentabilidade como geração de valor

Sustentabilidade corporativa gera valor para a organização, por meio do aproveitamento das oportunidades e do gerenciamento dos riscos. Agir em prol e em conjunto, no social, no econômico e no ambiental.

Sustentabilidade hoje é oportunidade, mais do que solucionar problemas ou cumprir leis, sustentabilidade é a base para inovar e obter lucros.

A evolução da gestão ambiental

A gestão ambiental sofreu sérias e importantes evoluções durante o tempo, segundo Ricardo Young do Instituto Ethos, ela se inicia na negação, onde “o meio ambiente não é importante, o que importa é produzir; passando pela fuga, onde a poluição é um fato da vida e os clientes pagam os custos; a ambivalência, onde se acredita que o meio ambiente é importante, mas não cabe a nós a solução do problema; até chegarmos ao comprometimento, onde todos devem se esforçar para melhorar o meio ambiente e a proatividade onde devemos fazer o que tiver de ser feito”.

Mas o caminho para o comprometimento e a proatividade não foi fácil e nem contínuo, algumas fases de “pressão regulatória” e necessidade do cumprimento legal, foram necessárias, principalmente com a criação da lei de crimes ambientais, instituída pela Lei n. 9605, em 1998.

E essa tal de sustentabilidade nada mais é do que implantar os conceitos da gestão integrada ao meio ambiente, a qualidade, a responsabilidade social e a saúde e segurança no trabalho. Parece simples, mas para que os níveis de satisfação sejam os esperados, e que permaneçam assim, a gestão dos riscos incorporadas a esses diversos setores deve ser contínua, e ao mesmo tempo esperada, de em forma que previsões auxiliam nas tomadas de decisões.

As normais NBR ISO 9001 e 14001 como forma de adaptação

Há dois anos, em 2015, houve a atualização das normas NBR ISO 14001 e NBR ISO 9001, e com essa nova versão, as organizações não só passam a gerenciar o risco em todas as fases de implantação das normas, mas reconhecem que as questões ambientais e de qualidade fazem parte do negócio, sendo traçados já em seus planejamentos estratégicos.
Se observarmos os grandes acidentes da história, como Cubatão ou Goiana e, recentemente, Mariana, podemos dizer que houve sim uma falha de análise de riscos ambientais ao negócio.

E geralmente, em empresas bem estruturadas, a redução ou a não ocorrência de eventos significativos, bem como de suas consequências, trazem a autoconfiança de que há uma gestão dos riscos acontecendo, e de que “o certo está sendo feito”, e essa impressão reforça a premissa de delegação da gestão de riscos para níveis mais baixos da companhia, afinal, “nossos riscos estão sob controle”. Esta é uma visão completamente equivocada, e eventos catastróficos podem, sim, surgir do excesso de confiança e da delegação inadequada.

Os desafios enfrentados pelas organizações são muitos, no que diz respeito a lidar com eventos de baixa probabilidade e consequências significativas. Entretanto, eventos como esses não são isolados. Se um acidente de proporções significativas acontece é porque não houve mecanismos suficientes e robustos para evitar o evento ou minimizar o seu efeito.

A gestão de riscos deve estar nos mais altos níveis da organização

Um ponto muito importante – e que merece muita atenção -, é que os riscos catastróficos e a integridade dos mecanismos de proteção associadas a esses devem ser claramente identificados como elementos críticos, monitorados com alta frequência e gerenciados pelo mais alto nível da organização.

Entretanto, somente empresas com uma gestão de riscos muito forte mantêm essa diretiva. Ademais, são necessários atenção e rigorosos controles em itens como integridade de ativos, cultura de segurança, comunicação de riscos e gestão de mudanças, principalmente em períodos de crise, quando a necessidade de controle de custos ou a volatilidade dos preços no mercado, são muito fortes e podem vir a influenciar a tomada de decisão, impactando a confiabilidade das barreiras de proteção.

E mais, alguns levantamentos indicam a necessidade de atenção às alterações regulatórias e aos stakeholders, cujas expectativas e níveis de exigências continuam a subir. Desta forma, a ocorrência de eventos catastróficos nesse cenário pode afetar definitivamente a sustentabilidade dos negócios.

Na preparação para esses cenários, é preciso desafiar as hipóteses de negócios existentes e, o que é mais desafiador ainda, de maneira ampla, entender claramente que velhas práticas históricas não são mais aceitáveis atualmente. Ou as corporações se engajam e se comprometem de vez com a prevenção ou ficarão expostas às cobranças de autoridades e da própria sociedade.

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Fontes:
[1] Brandão, Monica M.. Hess, Cida – – Gestão de Riscos e Sustentabilidade. Revista RI, Brasil. Consultado em 22/04/2017. Link para consulta.
[2] Daniela Cavalcante Pedroza – A sustentabilidade e a gestão de riscos. Portal Administradores, Brasil. Consultado em 22/04/2017. Link para consulta.